Monday, January 08, 2007

O casamento do Pepe e da Lupe (II)

O sol queimava mas ninguém parecia notar. O sorriso da Lupe chamava a atenção de todos , sobretudo a do seu noivo que a olhava apaixonadamente.
A música era a habitual de todas as festas mexicanas – capaz de pôr todos a dançar, incluindo crianças e idosos. O piso em que dançavam era aquele em que pousavam as caixas dos legumes que colhiam dos campos. Quando davam as mãos e dançavam em torno dos noivos, estes quase ficavam perdidos numa poeira amarelada, mas reluzente.
Mas isso não importava... Todos estavam ali para festejar a união do Pepe e da Lupe e não precisavam de muito para estar bem-dispostos, nem mesmo de um segundo copo de tequilha. A festa ia terminar tarde...

Friday, January 05, 2007

O casamento do Pepe e da Lupe (I)

O cheiro madrugador das flores anunciavam o grande evento. "Il matrimonio", "Il matrimonio"... repetiam os locais, embriagados pelas cores e os cheiros
que brincavam nos céus. Calmamente, aproximei-me e fui engolido pela multidão. Todos queriam estar presentes naquele
dia. As famílias, os miúdos, as viúvas e os solteiros. Era mais do que um casamento. Era a união da aldeia em torno de um casal muito querido. A Lupe e o Pepe mereciam.

O ponto de vista do copo (III)

Estranho ser que aterrou aqui. Não demorará muito e será engolido. Curioso, parece estar a desfazer-se. Sorte a dele... Eu por cá fico, à mercê da água quente e fria. Dos tombos e das agressões constantes. Este pequeno ser branco já não existe... virou água. E se eu me transformasse em água? Já não havia copo.